segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Adeus, sentimentos indomáveis!

Sentiu-se naquela noite como a tempestade que caia lá fora. Sabia que já havia sido como tarde quente, mas as sensações que a rodeavam naquela noite eram tão intensas que tiravam-lhe o juízo. Sentia que logo passaria a chuva e o barulho dos pingos confrontando o telhado iria desaparecer. Concentrou-se nas gotas que caiam incessantemente no piso do quarto e imaginou uma sinfonia: dentro era doce, fora, arrasadora. E desejou assim ser. Desejou ter paz. Teve. Ainda que caisse um temporal, teve sossego. A chuva cessou e ela nem percebeu. Caiu em sono profundo.

(minha foto)

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

A saudade de meus pedaços espalhados como retalho sobre a cama quase me sufocou. E, sem saber o porque, prometi a mim mesmo que deixaria de pensar em abandonar meu humilde achados e perdidos. Continuaria a achar e perder por aqui, bem ali, acolá.

sábado, 13 de novembro de 2010


Quem diz o momento de rir? Quem diz o momento? Quem diz quando amar? Quem diz quando o amor parar? Vejo pouco risos soltos e leves e assim. Vejo técnicas, rotina, robô. Quem vê simples? Quem vê? Quem vê sentido? Ali? No cinza. Quero ver colorido, quero ver. E só por isso o que eu digo não faz sentido? Sinto, sente, sentido.




sexta-feira, 29 de outubro de 2010

E eu que já não sei mais o que pensar. De tão covarde, ou de tanto medo, quis nunca deixar minha primeira pessoa chegar perto de minha tão moderna máquina de escrever. Já hoje ouvi que a poesia ria dos pobres poetas, que os românticos não sabiam captar o romantismo, que era inútil o esforço, que o artista não sabia mais o que dizer e disse. Vi que os pontos finais não deixam de ser por não fazer sentido. Seres subjetivos criticando subjetividades alheias. De tanto achar e perder, escondi. Esqueci de transparecer minhas claras verdades. Meus pedaços deixei, a torto e a direito, jogados pelo caminho, eles que se entendessem sozinhos! Exclamações, interjeições, tantas interrogações! Elas saem sem temer, sem caminho de volta. Minhas borboletas voam desanimadas, a não ser por umas duas, três que me deixam atordoada. Do futuro, digo poucas verdades. Palpites chegam sem permissão. Palpites. Palpites saem sem percepção. Palpites. O que se fala não é o que se sente, o que se sente nunca se pode falar. Se quem vê cara, não vê coração, quem vê sorriso, não vê intenção. Só por não atribuir nomes aos bois, meu pasto parece estar vazio. Só por não fazer sentido, é alívio. Ainda quero cantar minha canção descompassada. No marca-passo daquilo que trago de mais sincero, nas batidas que me levam adiante. Coração.

(imagem retirada do google)

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

João?

Alguém disse certa vez: "Quem se define, se limita". E esse lema, de uma hora pra outra, tornou-se a fala principal dos pequenos e limitados. Alguém explica?
Qualquer dia desses, se você esbarrar com um conhecido na rua e disser: mas eu não te conheço de algum lugar, o teu nome não é João?
O infeliz vai responder: quem se define, se limita.
Para quem voa baixo, enganar-se com liberdade dentro de uma gaiola é mais fácil do que querer sair dela.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Garoto


Conheci um garoto desajustado
de coração meio desregulado
que quase duas vezes morre afogado.

Esses eram os primeiros versos do garoto
Mas era tão descarado que quase um livro havia desejado.

Essa era, então, a primeira prosa do garoto. Era um desses meio alto, meio baixo, um tanto impertinente. Não me recordo se gostava de sorvete, mas não se dava muito bem com as palavras. Pode ele ir mais longe, olhar mais fundo e escolher todos os sabores e cobertura de chocolate ou morango, se resolver acreditar que suas águas não são tão turbulentas, seu oceano é até meio raso, Garoto!

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Trocados

Piso tão firme que sinto os músculos enrijecerem
Vou trocando meus trocados com o vento
E te observo quase parado, dando passos em falso
só por não querer segurar minha mão.
Salas condenadas, almas fechadas, abarrotadas de fantasmas
Bocas falantes de silêncio, mentes encharcadas de vazio
Corações pequenos, trocandos, pensantes
E um mundo lá fora, cheio de sensações, pulsando a todo vapor
dançando com o vento, apenas sendo.
Meus olhos procuram os teus, assim como procuro o ar
Mesmo que nunca digas nada, faço minhas tuas falas ocultas, inexistentes
E se teus olhos fugirem? Ah, os meus chorarão!

domingo, 19 de setembro de 2010

Chama viva
Corre acesa
Queima aqui
dentro
o Mar

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Um dia desses, corrido como outro qualquer, a saudade resolveu mandar lembranças e deixou até um postal. Era de longe, muito longe, e dizia que sentia saudade de mim, saudade da saudade que eu senti, saudade da saudade que eu deixei pra trás. E quase me preocupei, imaginando se teria a saudade derramado lágrimas de distância, se teria a saudade sentido a dor da falta. Mas pensando eu cá com meus botões, a saudade deve ter arrumado outro pra sentir. Então, sorri. Sorri sem saudades, sem anseios, somente com um postal na mão.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

O tempo passa
Passa leve
Um passatempo
Antes de constatar o quanto se é pequeno, não se poder ser grande.
Sem antes olhar no espelho, não se pode saber o tamanho do mundo.
Se não ficar, por mínino que seja o tempo, no fim da fila, jamais há de chegar ao princípio dela.
Enfim, se não cortar a vida ao meio, será sempre inteiro pela metade.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Os medos se concretizam quando os aceitamos como nossos.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Queres saber o que é Amor? Deixa de viver os teus sonhos para viver os sonhos de alguém que sonhou contigo desde o ventre da tua mãe. Queres saber o que é Amor? Vai morrer uma morte de cruz para resgatar almas que nem sequer conheciam a liberdade.
Isso é Amor. Ele é Amor.

segunda-feira, 12 de julho de 2010


Você se achega com algo quebrado nas mãos, pede-me que o conserte. Mas, não vê que eu não tenho ferramenta alguma?
Posso emprestar meus ombros, embora não sejam macios. Tentarei fazer sair do esconderijo minhas tímidas palavras de consolo. Encosta-te aqui, prometo que vamos olhar para o céu. Vamos ali procurar por socorro. Olhe para cima, mais uma vez.
Vamos esperar a noite esguiar-se pela imensidão, seguro tua mão até o amanhecer.
E quanto ao teu coração... Sei, é ele que trazes escondido, mas vens deixando cair aos pedaços pela trilha. Não te aflinjas, vamos contando os passos, recolhendo os pedaços.

sábado, 10 de julho de 2010

Logo aquele rapaz

Chegou do estágio cansadíssimo, que por sinal era sua primeira experiência, arrancou aquela gravata que parecia ter passado o dia inteiro sufocando-lhe, como se já não bastasse os pensamentos fazendo esse papel. Tirou aquela roupa que o deixava com um ar de sério, embora realmente o fosse, mas não tanto. Como era de costume, jogou as vestimentas amassadas em cima da cadeira já abarrotada.Quando tivesse tempo, havia prometido a si mesmo que iria levar tudo pra lavar. Tomou um banho demorado, a fim de esfriar a cabeça.
Após aquele banho, foi até a cozinha de seu pequeno apartamento para preparar alguma coisa para jantar, já que não estava com cabeça para ir nem à outra avenida e gastar alguns minutos no drive-thru, nem para esperar intermináveis trinta minutos e, como sempre, ficar isento de pagar porque o entregador do restaurante pegou um trânsito enorme ou trocaram os pedidos. Preparou um macarrão instantâneo, como quase todas as noites. Comeu em sua própria cama, isso era do ponto positivo de morar sozinho: você pode fazer o que quer na hora que quer, mas pode apostar que isso não era o que se passava pela sua cabeça. Até que preferia que sua mãe lhe desse uma bronca daquelas, e que preparasse um caprichado jantar, mas sabia que isso não era possível. Isso o entristecia. Tudo o que desejava era sentir o abraço aconchegante da mãe, queria que ela acariciasse seus cabelos com aquele amor tão verdadeiro, mas isso também não era possível. A única coisa que poderia fazer era terminar de comer e dormir.
O sono não chegava, via-se cada vez mais desesperado. Já tinha tentado todas as táticas, já tinha pedido a Deus com todas as forças que aliviasse aquele turbilhão de pensamentos que insistiam em surgir. Mesmo assim, ficou a pensar.
Sabia que era ilogismo remoer o passado dessa forma. Tudo bem, não fazia tanto tempo assim, mas já se passaram seis meses, e isso deveria ser tempo o suficiente para apagar aqueles sentimentos. Não que sentisse ciúmes, nem raiva. Era um sentimento de indignação, afinal, ela havia sido sua amada, com ela tinha dividido todas as emoções daqueles longos 2 anos, de todos aqueles dias... E mesmo assim, nunca acreditara em um amor que simplesmente evapora quando os amantes deixam-no esfriar, não, não era esse tipo de amor que conhecia. Não enxergara os motivos das mudanças bruscas na vida de sua namorada... Sua ex-namorada! Ainda não estava acostumado com essa ideia, ainda que ela insistisse em fazer com que parecessem ex-conhecidos. Tudo bem que ela quisesse distância, mas eles ainda estavam no mesmo campus, os dois no sexto semestre, sorte que ele estudava para ser arquiteto, e ela, para ser jornalista. “O que se passava na sua cabecinha? O que se passava naqueles olhos doces? Hein? Por que ninguém respondia? Por que faziam de conta que nada acontecia?”
A noite foi longa. O sono só chegou quando o sol estava às portas. E continuou com as mesmas ideias fixas. Ficava repassando a cena daquele casal tão comum, tão cheio de carinhos. Ele não a desejava como antes, nem queria privá-la de ter outros relacionamentos, mas por que logo com ele? Aquele de quem ela sentia repugnância, embora tenham estudado no mesmo colégio desde adolescentes, aquele era o rapaz mais improvável para ser seu casal, aquele rapaz que não tinha nada na cabeça, aquele rapaz que tinha tudo nas mãos e não levava nada a sério, não era como ele, que tinha que morar sozinho, naquela cidade tão grande e conturbada, enquanto os pais acabavam-se de saudade e quase não podia mandar dinheiro por conta das miseráveis aposentadorias.
Acho que agora, depois de não achar solução, depois de ver os primeiros raios de sol apontarem no horizonte, já podia tentar pregar os olhos pelo menos duas horas antes de ir para a universidade e levar um dia aparentemente normal.
E assim foi, dormiu as poucas horas que lhe restavam, acordou com uma bendita dor de cabeça, tomou um café amargo e aprontou-se para cumprir suas obrigações, como todo santo dia. E é assim que tinha que ser: o tempo não para, o tempo apenas passa e as pessoas na rua não param para ouvir o que o seu coração tem a dizer. Amanhã ou depois, a angústia passará. Daqui a um tempo, tudo será diferente, não como antes, apenas diferente.

sábado, 26 de junho de 2010

Baixinho...

Depois que as ondam ficam mais brandas, você percebe que aumentar o volume da música não vai fazer-te entendê-la na íntegra. Quando já se pode respirar, alguém acorda e diz que não era necessário morrer afogado, esquecer de usar suas ferramentas nos momentos de horror é normal, só não é nada prático.

Por que você não ouve a música baixinho? Por que você tem que colocar na intensidade máxima?
Isso não faz o filho reaparecer, não faz o marido voltar pra casa, não faz o tempo transgredir, não faz a vida te esperar. Não faz quem dorme acordar, não abre os olhos de ninguém, não abre os braços pra alguém. Isso só te deixa atordoado.

terça-feira, 15 de junho de 2010

BRASIL


Por um mês, somos verde-amarelos. Nos outros 3 anos e 11 meses, somos um leque de cores, vermelho, azul, branco, verde, laranja, cinza, e por aí vai, um arco-íris de cores sem pote de ouro no final. O futebol une o mais com o menos, gera expectativas, gera desejo de vitória, rivalidades nos consomem, esquecemos da realidade e nos pintamos de nossas supostas cores naturais: verde, amarelo, branco e azul. Infelizmente, não corremos atrás da bola da mesma forma que deveríamos correr atrás da nossa bandeira "ORDEM E PROGRESSO".
Mas não vou ser estraga prazeres, nada de impedimentos nessa torcida toda!
Mas que a nossa realidade político-socio-econômica está sendo jogada pra escanteio, está!
Mas nos 3 anos e 11 restantes corremos atrás do prejuízo, teve uma falta na área, teve penalti não marcado!

Vai Brasil, lembra do brasileiro com muito orgulho e com muito amor!
Você sabe que brincávamos a meio fio.
Não nos importávamos se os riscos tropelavam nossas sombras.
Conversas bobas disfarçavam só Deus sabe o quê.
E, na hora do adeus, o abraço demorado falou por si só.

terça-feira, 1 de junho de 2010

Pobre criança parada na janela vendo os pingos caírem na sua direção,
escorrendo pelas ruas sujas, molhando seu rosto, lavando sua inocência.


[A figura vai ficar por conta da imaginação, minha criança]

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Ser livre



Leio. Releio. Vejo aquelas palavras, mas elas não me causam mais nenhum efeito.
Ah, como é bom! Sinto-me tão livre quanto um passáro que acabou de reconquistar sua liberdade.
É, esse gosto eu já conhecia. Porém, há muito, muito, muito tempo ele não percorria minhas veias.
E agora essa é minha realidade, minha liberdade. Simplesmente.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Gratidão?

Desculpe-me por ser cheio de razão, você não merece ouvir palavras tortas. Você não merece mais.
Você não merece me ouvir sempre com as mesmas reclamações. Você não merece não reclamar. Desculpe-me pelas perturbações, você não merece mais me aturar. Perdoa-me a impetulância, grite fundo que eu não amadureci minha tolerância. Grita-me imaturo, moleque, sem razão, inconsequente, um ladrão! Diga-me que já viveu 5 vezes mais, diga-me tudo, faça-me ouvir.

Isso. Obrigado.
As espumas, meu amor
Escorreram pelo ralo
E eu ainda guardo o frasco,
Mas você mudou o rótulo, amor
Ah, você mudou de amor!

Mas não chore,
Não, não choremos
Quando eu fui embora,
tudo já estava vazio
Os meus amores não são os de outrora
Os meus passos voam a 100 por hora

terça-feira, 25 de maio de 2010

Uma voz


As nuvens passeavam no céu do mesmo modo que eu passeava por ali. Meus passos leves, descompromissados, inconscientes, não sabiam para onde ir. Até que fui perturbada por uma voz. Não era qualquer voz, era aquela voz! Atordoada, tentei localizá-la. Estava bem a frente, poucos metros adiante. A voz achou que eu não havia escutado, pronunciou-se novamente. Estremeci por completo e quase sem perceber, pus-me a caminhar na sua direção. A cada centímetro percorrido, novas sensações inundavam meu corpo. Sensações estranhas, sensações que faziam delirar, mesmo sem motivos aparentes. Até que cheguei ao meu destino. A voz disse-me meias palavras e deu um sorriso. Esperou resposta. Esperou. Esperou. Sorri. Troquei de sentido. A voz tinha olhos. Olhos que cegavam minha audição. Mas eu já não tinha visto aqueles olhos antes? Aqueles olhos superficiais, secos de ideias, repletos de promessas. Ah, eu já os conhecia, eles não mereciam os meus, não mereciam. Girei 180º, fiz uma manobra inusitada, sai correndo dali. Correndo para nunca mais voltar.
Aqueles olhos foram os mais intrigantes que já olhei, eram de uma calmaria tão hipnótica que eu seria capaz de mergulhar, mesmo tão rasos, e boiar na superfície sem hesitar.
Ah, e aqueles outros! Tão intensos e profundos que se batesse de frente com eles teria a impressão de que lhe teriam roubado os segredos mais obscuros da alma, se olhasse-os bem de perto, veria dois abismos imersos numa escuridão perturbadora, tomados por um mistério arrebatador.

E iria assim, capaz de mergulhar, revelar segredos, hipnotizado, arrebatado. Até que cruzasse na rua com um par de olhos mais surpreendente ainda!

domingo, 16 de maio de 2010

Estou meio perdido nos meus achados, só preciso de um tempo, ou mesmo de um meio tempo.

domingo, 9 de maio de 2010

"A vida é meio solitária para quem nao está afim de ouvir qualquer conversa otária" - Sua mãe

...

Nos meus devaneios, brinquei de estar apaixonada, e isso parecia funcionar.
Até que minha frágil ilusão foi interrompida pelo despertador.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Frase solta de um dia nublado

Entre as Derivadas e a Física Moderna, alguém suspirava poesia.

Parabéns, mamãe

Estamos esperando mais um bebê, mais um irmãozinho!

LUTO



Tem gente desmoronando
Tem mentes desesperando
Tem alguém ai?

Tá tudo indo pro água a baixo
Os que estavam no alto caem rápido
Mas eles estavam mesmo em baixo

O Brasil é nada igual
Tem gente passando mal
Tem alguém ai?


Chuvas, deslizamentos, mortes, luto, cidade maravilhosa (?), irresponsabilidade governamental, sistema educacional falho, desigualdade social. Palavras servem para mostrar tamanha indignação e luto diante dessa tragédia? DE LUTO PELA EDUCAÇÃO, POLÍTICA, CONDIÇÃO SOCIAL DO BRASIL.

Nostalgia de estimação

Saudade das paredes amarelas desbotadas, do cheio desagradável de mofo, da falta de ventilação e até da mesinha cinza do bibliotecário. Quero voltar a procurar os meus amados nas estantes estreitas e desorganizadas, quero de novo sequestrá-los, quero de volta minhas aulas roubadas pela leitura proibida e nunca desconfiada, quero de novo esconder "meus" livros dentro dos outros maiores e passar horas embalada em leituras prazerosas. E as minhas cúmplices e incentivadoras? Será que ainda estão com a mesma vontade? Será que ainda são inocentes como naqueles tempos de colégio? Que vontade de voltar no tempo, que vontade de reviver meus primeiros passos, meus risos tímidos. Que vontade de voltar a minha primeira paixão, minha primeira leitura, meu primeiro refúgio. Ah, eu quero respirar aqueles ares! Mas hoje, só respiro saudade!

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Mais sensibilidade, por favor!

(O Pensador-Auguste Rodin)

"Felizes as pessoas que têm misericórdia dos outros, pois Deus terá misericórdia delas." Mateus 5:7

Encho-me de tristeza quando percebo o quanto estamos sendo insensíveis. E ando percebendo isso com muita frequência. Temos uma enorme capacidade de andar sem olhar para o próximo, achamos que nossas necessidades estão acima de tudo, passamos a viver por nossa própria conta, sem querer palpites, sem ouvir conselhos, sem buscar ajuda. Onde está o amor? E a misericórdia que nos é dada por Deus? Simplesmente não está. Caminhamos por caminhos alargados, não querendo passar pelo estreito, caminhamos sem olhar para o próximo, como se Deus já não tivesse olhado para nós, por nós. E levaremos isso até o dia em que nada mais poderemos fazer. Sensibilidade para com Deus, para com o próximo, para com tudo. Será que seremos capaz de nos tornamos pedras? Pedras que não sentem, não ouvem, não não abraçam, não veem. Simplesmente não reagem a ações que contrariam suas vontades, sonhos e desejos, nesse caso, desacreditando a própria Física.

domingo, 25 de abril de 2010

Ódio?

Odeio tudo e todos que me dominam, ou, na melhor das hipóteses, tentam dominar-me. Odeio os valores deturpados e maquiados aos quais acabamos por dar importância, odeio não poder me expressar, odeio as palavras certas não saírem. Odeio a passividade, o prazer no proibido, odeio a lágrima sucumbida. Odeio odiar-me, odeio suposições, odeio dúvidas, odeio confrontos, odeio a falta de caráter, odeio mutações, odeio tanto, tudo, tédio. Na verdade, não odeio nada, quero odiar, odeio o ódio também!

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Apaixonei-me por uma voz que nunca ouvi, por um abraço que jamais senti, por palavras não ditas, por passos não dados, por olhares negados, por atitudes sonhadas, por cheiros desconhecidos, por ares estranhos, por notas desastradas, por pensamentos soltos, por uma imensidão alheia, um mundo novo, um mundo criado, um mundo fantasiado. Apaixonei-me, na verdade, por uma moça chamada distância.

Choveu

Você estava do outro lado da rua, como tem estado quase todos os dias. Estava perto, longe demais. Estava em um período intenso, extenso, composto. Fiquei parada, olhando, gastando alguns centésimos de segundos a procurar sorrateiramente os motivos de meu período simples curtíssimo e de minha oração sem sujeito, como aquela: "Choveu!", como quando nos perguntamos: "Quem choveu? Para quem choveu?", e não há respostas, simplesmente o sujeito não existe, simplesmente choveu.

Pequeno Manifesto

Não acho mais fotos pra os meus textos, então... pretendo começar já um curso de fotografia, "ganhar" uma maravilhosa câmera profissional e tornar-me uma esplêndida fotógrafa! Bem... enquanto isso não acontece, manifesto minha indignação por não achar fotos condizentes com meus pensamentos!

sábado, 17 de abril de 2010

Você me fez calado
E eu gostei disso
A razão não serve
para justificar minhas razões
Fui com Villa Lobos no trenzinho caipira
Lá não tinha apólogo brasileiro sem véu de alegoria
Fui até às minas, à Minas Gerais
Fui à casa de Marília, perguntar por meu Dirceu
Mandei cartas chilenas, americanas, verde-amarelistas
Brinquei com Tiradentes, pobre conjurador
Voltei pelo sertão, vendo minha gente sofrer
Canudos extinguiu-se, Euclides foi o contador
Fui ali, fui além
Não sai aqui do meu Ceará
Da índia dos lábios de mel
Do povo da seca cruel


Uma garota subia as escadas na ponta dos pés
Não se cansou
Nem perdeu o fôlego
Nunca parou

domingo, 11 de abril de 2010

Bicicleta sem rodinhas


Como se quiséssemos nunca acreditar naquele Livro Sagrado que diz que tudo passa, vamos enchendo-nos de bobas esperanças e fantasiando nosso "para sempre" em cada passo. Vemos com olhos inocentes e infantis a vida, como se não fosse a mais descontínua de todas, os presentes, achamos que a ausência nunca cruzará os seus caminhos; as alegrias, achamos que a tristeza nunca vai bater a porta, a juventude, achamos que a velhice tardará ou até mesmo nem chegará; quanto à força, temos o hábito de não pensar em quando não houver mais ânimo; os amores, achamos que sempre vamos poder abraçá-los com todos os braços que pudermos, enquanto isso, o que resta são momentos de nostalgia, é a saudade que alimenta nossa alma, são as lágrimas e os sorrisos que nos arrebatam até o "para sempre" daquele certo momento. Enquanto ficamos nesse vai-e-vem, de idas e vindas, chegadas e partidas, achados e perdidos, olás e adeus, tem Alguém que lança sobre nós um olhar tão piedoso, como quem dissesse: Filho, aquieta-te, crê no meu amor que é eterno, e tudo mais conseguirás vencer. Aquele que é eterno, que é capaz de dar a vida por nós, olha-nos todos os dias e o que mais quer é nos colocar no colo e dizer o quanto somos crianças nos seus braços. Olha-nos com um olhar paterno de cuidado, como aquele pai que presencia as quedas do filho ao andar pela primeira vez numa bicicleta sem rodinhas.

Metade?

E dizem: já achou sua metade? Uma, duas, infinita vezes!
E digo que não, sou inteira.
Mas a metade da laranja, você sabe.
Ah, é...
E então, achou?
Você quer dizer que a laranja é uma metáfora para o amor?
Metáfora?! É, deve ser.
E digo que quero uma laraja inteira, como sou, e doce. Amor doce, doce Amor.
E sempre saem sem entender.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Meu verso livre

Quero demorar a abrir os olhos
Quero sorrir sem motivo algum
Quero segurar na mão
Deixar falar apenas o silêncio
Quero que a atmosfera fique leve,
que a gravidade não exista mais,
que tudo se complete.
Quero noistes sem sono
Quero pensamentos voando alto
Quero flores, quero o jardim inteiro!
Quero nuvens
Quero nada!
Quero uma imensidão
Quero um amor pra chamar de meu.

terça-feira, 30 de março de 2010

Hoje, sou saudade

Perdoa-me a falta de tempo, nunca deixei de pensar. E como diz uma grande amiga: como tu tem tempo pra pensar tanto?

domingo, 7 de março de 2010

Está tudo bem
Hoje a noite eu vou dormir
E talvez sonhar
Vou acabar, por fim,
Juntando meus pedaços.

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Um olhar da janela

Mas que covardia! Eu querendo ir além, e você me faz ficar aqui, eu querendo saber mais, e você me obriga a supor, eu querendo abrir a porta, e você me obriga a olhar pela janela! Eu querendo correr pelo campo, e você me prende no castelo, eu querendo andar descalço, você nem me deixa paralisado, eu querendo suspirar, e você me faz prender a respiração. Vai, abre mão, acha outro pra brincar de faz-de-conta, enquanto eu pulo a janela, na marra, você fica aí cheio de máscaras!

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Adocica meu amor, adocica!

Tu estás tão amargo, logo hoje que vim pedir-te uma xícara de açúcar!
Por que fazes assim? Não tens medo algum de amanhã bater a tua porta o arrependimento?
Aproveita enquanto sou eu quem bate, me dá somente meia xícara, guarda a outra metade para ti, toma devagar, deixa passar o tempo e escorrer pela alma toda essa amargura, meu rapaz!
Embora esteja atarefada até o pescoço,
preferia passar o tempo todo a sonhar.
Mas os sonhos não vêm, e eu me pergunto se hoje eu sonho.
Eles não chegam, mesmo quando fecho os olhos.
Então, eu fico aqui, perambulando, mexendo aqui e ali,
até que algum me arrebate de vez!

Oceano particular

Não gostaria de estar ouvindo aquele silêncio, dentro daquele cubículo, aquilo parecia uma ironia, nunca quis fechar-se num mundo inventado, nunca quis entrar naquela bolha. E quando as lágrimas não queriam mais descer para lavar aquela alma, quando o que mais desejava era sentir o seu gosto salgado, aquela guerra não fazia mais sentido, a luz não chegava, ninguém lá fora ouvia, fechar os olhos era sinônimo de entrega, e isso era o que menos desejava fazer.
Como quando era uma criança, e ninguém chegava perto, não diziam uma palavra, aprendeu a ler nas entrelinhas sozinha, engolindo umas palavras, distorcendo outras, nem por isso deixou de tentar entender o que se passava naquela tempestade, mas nunca sendo transparente, seu oceano era de uma agua turva, ninguém mais entenderia, ninguém saberia nadar ali, nem remar, apenas se entregrariam, deixariam-se levar pelas branvas ondas, perderiam o fôlego tentando adivinhar o que fazer.
O que mais almejava era sentir os olhos ofuscados por aquele brilho intenso, sentir aquela mão reerguendo-lhe, sabia que não tinham lhe colocado ali para se afogar, não em seu próprio mar. Continuava a imaginar-se sentada naquela pedra, sua ilha particular, em meio à imensidão, tentava chorar, queria lançar ao longe aquela hipocrisia de estimação, desejava um abraço confortante daqueles que aquecem até um bloco de gelo, sabia que haveria um propósito, aquilo não seria apenas destino, iria esperar, até tudo parecer calmo e claro, até tudo voltar ao normal, até sentir de novo aquela chama arder em seu coração, não iria tardar, tinha convicção.

domingo, 31 de janeiro de 2010

Apanhador de nuvens

Estava tudo muito calmo e limpo. Não havia obstáculos. Na verdade, hoje não havia trânsito, pelo menos até onde eu podia enxergar, até onde eu podia imaginar. E se houvesse, estaria longe, bem longe. Isso não vem ao caso, vem? Afinal, para mim, o longe e o perto são um equívoco , um paradoxo relativo que não importa, não nesse instante. Bem, além da calmaria e a solidão que agora me convém, havia a cor. Ah, aquela cor! Era inconfundível. Não era como simplesmente olhar para cima todos os dias e deparar-se com um cenário, embora deva haver inúmeras tonalidades que se aproximam daquela e contorçam-se de inveja. Aquilo parecia possuir um certo humor, e, hoje, especialmente, estava sorrindo para mim, um riso um pouco sério, confesso, para lembrar-me de minhas obrigações. E como em uma ironia, queria enfiar-me numa camisa azul da sua cor, bem passada, nem dobrinhas nem amassados, exatamente como encontrava-se: intacto! Eu não riria ceder, não tão sobrecarregado do dia de ontem como eu estava. Tinha que vê-las, poderia até mesmo passar o dia inteiro forçando a vista para contemplar nem que seja um pequeno vestígio de sua presença. Isso não seria fácil, o todo-poderoso estava ali, bancando o malvado, reinando na imensidão azul, despertando em mim uma imensa ânsia de tomar um copo de água com muito gelo, aposto que minha garganta ressecada iria agradecer. Apesar disso, não hesito em esperá-las, matar o tempo à admirá-las é um passatempo incrível, embora para mim seja mais do que isso. Uma paixão, uma necessidade, traz um calmaria diferente e exótica, posso procurar onde for e nunca acharei igual. Acalmar-me, concentrar-me, esvaziar-me de tudo, deixar a estrada livre para a imaginação correr a 100 km/h... Dái elas aparecem, com suas formas, seus contornos, suas cores, umas mais leves, suaves, algodão-doce! Outras mais pesadas, aposto que o homem mais forte do mundo não conseguiria carregá-las, não sem se molhar! Algumas mais exibidas gostam de ser o centro das atenções, tomando conta do campo visual inteiro. E sempre que eu me aproximo, elas em dizem não, até quando eu subo bem alto. Estico bem a mão, e não consigo apanhá-las. Já me disseram que o problema era eu manter os pés no chão, mas eu não vejo saída, nasci sem asas... Será que estou sendo mal-educado? Falei da minha paixão, e não disse quem eu sou! É que elas sempre me deixam fora de foco. Sou um apanhador de nuvens, e gosto disso, apesar de continuar com os pés no chão e nunca apanhá-las. É sempre bom abrir as portas para a imaginação, passar o tempo a admirar algo que está fora do nosso alcance, deixar a emoção percorrer as veias livremente, sem barreiras, isso alimenta a alma.

Branco vazio

E se quiséssemos continuar assim, inertes? Alguém ou alguma lei poderia interferir? Parados, aqui mesmo, sem mais experimentar das sensações, como se fossem inválidos os sentidos, como naquele sabado tarde, mas não à tarde, quando tudo era branco, branco vazio. Mas não vazio como preto, apenas branco vazio repleto de abstinência do algo que se foi. E nós nem sabíamos o que falar, como agora. Talvez nunca quiséssemos falar, ou nem pudéssemos. E talvez nem existisse um "nós" implícito, nem um "eu".
Num dia, você me olha tão cheia de encanto, simples e brilhante, cheia da mais pura magia, que faz até o poeta inalar poesia, convencendo-me de sua real presença, fazendo-me desacreditar na ciência. No outro, chega tão cheia de si, entronizada, tão longe, com um sorriso meio amarelo como quem diz: aqui não é meu lugar! Não sei se sorrio por seu esplendor, ou se choro por seu aparente desprezo. Então, hoje como pode não vir? Simplesmente não chegar, deixar-me à espera, vendo tudo escuro, tudo cinza, tudo morto. Vem, ó amada da escuridão, pelo menos me dá o desprazer de sentir-me desprezado, isso é melhor do que tua ausência. Não tarda, já amanhece, quero todo o tempo pra ti, mas não tenho o tempo todo.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Há tanto tempo anseio por isso e convivo com tua ausência e o desejo de você , que minha maior conquista seria o teu exército invadindo meu país. Estraçalhando minhas muralhas, confundindo as estratégias, indo pela contramão , explorando o território, apossando-se do que é meu e tirando-me o gosto da tua falta, calando minha vontade, distorcendo minhas certezas, embriagando minha domesticada ilusão, desarmando os meus olhos e calando minha saudade de nunca ter te tido aqui, ali, além.


Ver: http://www.youtube.com/watch?v=2S5w-MRrTuk

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Era sempre a mesma areia, o mesmo mar e o mesmo céu. Quando estava acompanhada, era mais fácil sentir o ar penetrando nos pulmões, agora, sozinha, isso parecia uma sentença. Até quando era frio e havia aquele vento gelado bagunçando seus cabelos isso parecia bom. Hoje, mesmo em uma tarde quente, tentava reprimir o desejo de entrar no mar só para gastar seus intermináveis segundos à distinguir o barulho das ondas que lhe diziam coisas doces às quais não queria dar ouvidos das supostas pegadas que seu coração ansiava ouvir. Apesar disso, a areia continuava intacta atrás de si mesma, não havia ninguém, não viria ninguém. E ela continuaria a prender a respiração... Até que ficou farta, esfregou os olhos para tentar dissipar seus delírios, pegou a toalha que ainda estava molhada e foi tomar outro banho, mesmo que o último tivesse sido tomado há uns 15 minutos. Tinha decidido sair, tomar uma água de coco talvez, andar pela praia e tentar convencer o silêncio de seu terrível engano, mesmo não sendo essa a verdade.
Sei que não desejei boas festas, nem fiz um montão de planos, não disse nada enconrajador, nem palavra alguma, e tu ainda tá com cara de 2009, né? Mas eu senti saudade, juuuro!
Senti saudade até de mim estando ausente assim! Afinal, sou eu quem gasta horas lendo e relendo meus pedaços, seus achados, meus perdidos... Ui, saudade!
Vou aparecer mais, quer dizer, vou desaparecer, pra me achar e me perder!

Feliz décimo segundo dia de 2010, boa madrugada quente e abafada de janeiro...
Vamos dormir e sonhar, certo? Estamos precisando! Boa noite