domingo, 11 de abril de 2010

Bicicleta sem rodinhas


Como se quiséssemos nunca acreditar naquele Livro Sagrado que diz que tudo passa, vamos enchendo-nos de bobas esperanças e fantasiando nosso "para sempre" em cada passo. Vemos com olhos inocentes e infantis a vida, como se não fosse a mais descontínua de todas, os presentes, achamos que a ausência nunca cruzará os seus caminhos; as alegrias, achamos que a tristeza nunca vai bater a porta, a juventude, achamos que a velhice tardará ou até mesmo nem chegará; quanto à força, temos o hábito de não pensar em quando não houver mais ânimo; os amores, achamos que sempre vamos poder abraçá-los com todos os braços que pudermos, enquanto isso, o que resta são momentos de nostalgia, é a saudade que alimenta nossa alma, são as lágrimas e os sorrisos que nos arrebatam até o "para sempre" daquele certo momento. Enquanto ficamos nesse vai-e-vem, de idas e vindas, chegadas e partidas, achados e perdidos, olás e adeus, tem Alguém que lança sobre nós um olhar tão piedoso, como quem dissesse: Filho, aquieta-te, crê no meu amor que é eterno, e tudo mais conseguirás vencer. Aquele que é eterno, que é capaz de dar a vida por nós, olha-nos todos os dias e o que mais quer é nos colocar no colo e dizer o quanto somos crianças nos seus braços. Olha-nos com um olhar paterno de cuidado, como aquele pai que presencia as quedas do filho ao andar pela primeira vez numa bicicleta sem rodinhas.

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