sábado, 20 de fevereiro de 2010

Um olhar da janela

Mas que covardia! Eu querendo ir além, e você me faz ficar aqui, eu querendo saber mais, e você me obriga a supor, eu querendo abrir a porta, e você me obriga a olhar pela janela! Eu querendo correr pelo campo, e você me prende no castelo, eu querendo andar descalço, você nem me deixa paralisado, eu querendo suspirar, e você me faz prender a respiração. Vai, abre mão, acha outro pra brincar de faz-de-conta, enquanto eu pulo a janela, na marra, você fica aí cheio de máscaras!

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Adocica meu amor, adocica!

Tu estás tão amargo, logo hoje que vim pedir-te uma xícara de açúcar!
Por que fazes assim? Não tens medo algum de amanhã bater a tua porta o arrependimento?
Aproveita enquanto sou eu quem bate, me dá somente meia xícara, guarda a outra metade para ti, toma devagar, deixa passar o tempo e escorrer pela alma toda essa amargura, meu rapaz!
Embora esteja atarefada até o pescoço,
preferia passar o tempo todo a sonhar.
Mas os sonhos não vêm, e eu me pergunto se hoje eu sonho.
Eles não chegam, mesmo quando fecho os olhos.
Então, eu fico aqui, perambulando, mexendo aqui e ali,
até que algum me arrebate de vez!

Oceano particular

Não gostaria de estar ouvindo aquele silêncio, dentro daquele cubículo, aquilo parecia uma ironia, nunca quis fechar-se num mundo inventado, nunca quis entrar naquela bolha. E quando as lágrimas não queriam mais descer para lavar aquela alma, quando o que mais desejava era sentir o seu gosto salgado, aquela guerra não fazia mais sentido, a luz não chegava, ninguém lá fora ouvia, fechar os olhos era sinônimo de entrega, e isso era o que menos desejava fazer.
Como quando era uma criança, e ninguém chegava perto, não diziam uma palavra, aprendeu a ler nas entrelinhas sozinha, engolindo umas palavras, distorcendo outras, nem por isso deixou de tentar entender o que se passava naquela tempestade, mas nunca sendo transparente, seu oceano era de uma agua turva, ninguém mais entenderia, ninguém saberia nadar ali, nem remar, apenas se entregrariam, deixariam-se levar pelas branvas ondas, perderiam o fôlego tentando adivinhar o que fazer.
O que mais almejava era sentir os olhos ofuscados por aquele brilho intenso, sentir aquela mão reerguendo-lhe, sabia que não tinham lhe colocado ali para se afogar, não em seu próprio mar. Continuava a imaginar-se sentada naquela pedra, sua ilha particular, em meio à imensidão, tentava chorar, queria lançar ao longe aquela hipocrisia de estimação, desejava um abraço confortante daqueles que aquecem até um bloco de gelo, sabia que haveria um propósito, aquilo não seria apenas destino, iria esperar, até tudo parecer calmo e claro, até tudo voltar ao normal, até sentir de novo aquela chama arder em seu coração, não iria tardar, tinha convicção.