sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Pingos de chuva

Quando se abre o guarda-chuva?
Sempre que cai um pingo
Sempre que cai um pingo de imprevisto
Sempre que cai um pingo
Sempre que cai um pingo de desagrado
Sempre que cai um pingo
Sempre que cai um pingo de tristeza
Sempre que cai um pingo
Sempre que cai um pingo de incerteza
Sempre que cai um pingo
Sempre que cai um pingo de frustração
Sempre que cai um pingo
Sempre que cai um pingo de desconhecido

Quando se abre o guarda-chuva?
Sempre que cai um pingo
Sempre que cai um pingo de chuva
Seja lá qual for a sua chuva
Há meses estava em pedaços. Nenhuma recente decepção, apenas um antigo sentimento acomodado.
Agora, depois de reavivar uma eternidade de sensações, não sei como se encontra.
Talvez no meio da estrada, ou até mesmo no seu fim. Ou quem sabe um recomeço?
Como se chama um recomeço depois de um recomeço? E um fim depois de outros tantos fins regados de tristeza?
Espero que seja um segundo, terceiro, infinito recomeço!
É como se nunca cansássemos de colocar um "Outra vez" depois de um pseudo-ponto final.



Obrigada pela permissão e inspiração, L

08/11

Tenho tanta facilidade de relacionar-me com os livros, não sei se o problema é minha extraodinária admiração por estes
ou minha problemática com os humanos, é que dos livros você não espera nada além, ele é simplesmente aquilo que é.
Bom, se você compra um livro de culinária, jamais ele pode falar sobre a Primeira Guerra Mundial, é bem lógico.
Já quando você conhece uma pessoa, não se pode prever nada. Não se pode analisar o conteúdo pelo autor,
nem classificá-las por sessão. Tantas expectativas são geradas em torno de míseras palavras e atos tão banais,
que muitas vezes nos vemos frustrados sem nenhum motivo, ou surpreendentemente iludidos sem motivo algum novamente.
Não que eu seja algum psicopata-depressivo ou tenha síndrome do pânico, sou perfeitamente normal, pelo menos se tratando de síndromes-depressivas,
é que os livros me trazem mais segurança,
como se as palavras impressas fossem imutáveis, comparadas à inconstância das pessoas (e até mesmo a minha cruel inconstância).
Talvez o papel seja mais concreto do que as incertezas que nos cabem sobre as pessoas.
Usando a sinceridade como artifício... Os livros também nos surpreendem, decepcionam, ensinam, fazer rir e chorar, transformam,
gritam, silenciam e até mesmo abraçam, mas deixam-me mais à vontade e despertam uma paixão tão intensa que faz essa relação
tornar-se mais simples e encantadora a cada letra, sílaba, palavra, tudo aquilo que é lido.

14/11

Agora já está escuro, a única coisa ainda visível é o brilho quase ofuscado dos seus olhos.
Apesar de ver algumas sombras e o leve contorno do mar, muito do passado ainda toma conta
do seu campo visual.
Decifrar o que se passa ali é algo extremamente difícil. Até esse momento, não tinha visto algo parecido, não tão de perto.
Uma certa mistura homogênea de alívio, arrependimento e algumas sensações quase que indecifráveis.
Ah, além de mim, parece que temos outro espectador: reluzentes estrelas.
Elas parecem ser boas espectadoras, a julgar pelo fato de serem encantadoramente silenciosas.
Acho que agora, que as percebi mesmo em seu profundo silêncio, perdi o foco de minha observação.