E eu que já não sei mais o que pensar. De tão covarde, ou de tanto medo, quis nunca deixar minha primeira pessoa chegar perto de minha tão moderna máquina de escrever. Já hoje ouvi que a poesia ria dos pobres poetas, que os românticos não sabiam captar o romantismo, que era inútil o esforço, que o artista não sabia mais o que dizer e disse. Vi que os pontos finais não deixam de ser por não fazer sentido. Seres subjetivos criticando subjetividades alheias. De tanto achar e perder, escondi. Esqueci de transparecer minhas claras verdades. Meus pedaços deixei, a torto e a direito, jogados pelo caminho, eles que se entendessem sozinhos! Exclamações, interjeições, tantas interrogações! Elas saem sem temer, sem caminho de volta. Minhas borboletas voam desanimadas, a não ser por umas duas, três que me deixam atordoada. Do futuro, digo poucas verdades. Palpites chegam sem permissão. Palpites. Palpites saem sem percepção. Palpites. O que se fala não é o que se sente, o que se sente nunca se pode falar. Se quem vê cara, não vê coração, quem vê sorriso, não vê intenção. Só por não atribuir nomes aos bois, meu pasto parece estar vazio. Só por não fazer sentido, é alívio. Ainda quero cantar minha canção descompassada. No marca-passo daquilo que trago de mais sincero, nas batidas que me levam adiante. Coração.(imagem retirada do google)
