sexta-feira, 29 de outubro de 2010

E eu que já não sei mais o que pensar. De tão covarde, ou de tanto medo, quis nunca deixar minha primeira pessoa chegar perto de minha tão moderna máquina de escrever. Já hoje ouvi que a poesia ria dos pobres poetas, que os românticos não sabiam captar o romantismo, que era inútil o esforço, que o artista não sabia mais o que dizer e disse. Vi que os pontos finais não deixam de ser por não fazer sentido. Seres subjetivos criticando subjetividades alheias. De tanto achar e perder, escondi. Esqueci de transparecer minhas claras verdades. Meus pedaços deixei, a torto e a direito, jogados pelo caminho, eles que se entendessem sozinhos! Exclamações, interjeições, tantas interrogações! Elas saem sem temer, sem caminho de volta. Minhas borboletas voam desanimadas, a não ser por umas duas, três que me deixam atordoada. Do futuro, digo poucas verdades. Palpites chegam sem permissão. Palpites. Palpites saem sem percepção. Palpites. O que se fala não é o que se sente, o que se sente nunca se pode falar. Se quem vê cara, não vê coração, quem vê sorriso, não vê intenção. Só por não atribuir nomes aos bois, meu pasto parece estar vazio. Só por não fazer sentido, é alívio. Ainda quero cantar minha canção descompassada. No marca-passo daquilo que trago de mais sincero, nas batidas que me levam adiante. Coração.

(imagem retirada do google)

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

João?

Alguém disse certa vez: "Quem se define, se limita". E esse lema, de uma hora pra outra, tornou-se a fala principal dos pequenos e limitados. Alguém explica?
Qualquer dia desses, se você esbarrar com um conhecido na rua e disser: mas eu não te conheço de algum lugar, o teu nome não é João?
O infeliz vai responder: quem se define, se limita.
Para quem voa baixo, enganar-se com liberdade dentro de uma gaiola é mais fácil do que querer sair dela.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Garoto


Conheci um garoto desajustado
de coração meio desregulado
que quase duas vezes morre afogado.

Esses eram os primeiros versos do garoto
Mas era tão descarado que quase um livro havia desejado.

Essa era, então, a primeira prosa do garoto. Era um desses meio alto, meio baixo, um tanto impertinente. Não me recordo se gostava de sorvete, mas não se dava muito bem com as palavras. Pode ele ir mais longe, olhar mais fundo e escolher todos os sabores e cobertura de chocolate ou morango, se resolver acreditar que suas águas não são tão turbulentas, seu oceano é até meio raso, Garoto!

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Trocados

Piso tão firme que sinto os músculos enrijecerem
Vou trocando meus trocados com o vento
E te observo quase parado, dando passos em falso
só por não querer segurar minha mão.
Salas condenadas, almas fechadas, abarrotadas de fantasmas
Bocas falantes de silêncio, mentes encharcadas de vazio
Corações pequenos, trocandos, pensantes
E um mundo lá fora, cheio de sensações, pulsando a todo vapor
dançando com o vento, apenas sendo.
Meus olhos procuram os teus, assim como procuro o ar
Mesmo que nunca digas nada, faço minhas tuas falas ocultas, inexistentes
E se teus olhos fugirem? Ah, os meus chorarão!