quarta-feira, 21 de março de 2012

Tenho deixado tudo derramar. O suco no vestido novo no meio da festa, o refrigerante na roupa branca no dia quente, água no chão da cozinha, molho na blusa no restaurante chique. Depois as palavras, que sujaram uma relação. O amor que derramou e ninguém viu. As lágrimas que se derramam por tudo. Paciência, que se derrama por nada. Atenção que se derrama e ninguém acha. E fica o copo pela metade, o coração ao meio e a frase inacabada. Derramou.

sexta-feira, 9 de março de 2012


A liberdade não foi criada para ser sensação. É estado. Permanente.
Não te prende ao turbilhão de conceitos, te solta.

Amor de medo de amar

Tudo bem
Pode chegar perto
O meu amor não dói

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011


Não sei por que fui te deixar
Tão longe, pra ser o amor de outro alguém
Eu vim de distante, te ver falar mansinho
Alguém, faça o favor
Transforme em música minha dor
Enquanto eu me acostumo
Enquanto trago o sol

segunda-feira, 26 de setembro de 2011


Deixem-me, vocês, ser a criança que nunca mente. Vou arrancar-lhes meus sorrisos, que sempre foram meus e agora estampam outros rostos. Podem levar embora a liberdade que me venderam e a falta que não acompanha a estima. De bom grado, tirem de mim os passos inseguros que me fizeram dar esses meses. Não tragam de volta aquele amor, só me deixem escolher que roupa quero vestir. Leve seus encantos de volta àquela vida torta. Viva!

(imagem retirada do Google)

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Segunda

Ontem foi aquele teu último domingo, e hoje ainda é a segunda que eu não pude me despedir. É a segunda que o céu chorava e ousava em fazer sol. A chuva escorria entre nós levando minha ânsia de abraços, e a brisa contestava, chocando-se contra aquilo que te levava embora.
Ainda assim, algo nos dizia, como pela sinfonia daquela tempestade, que você é a realização. É só melhor. E mais. E derramamos mais lágrimas, as de contentamento! A saudade, então, foi-se acomodando, ingrata, num lugar do peito que nenhum mortal ousaria tocar.
Ainda te vejo e te ouço na calçada, com nossos dialetos e seus afetos.
Agora o céu sorri, e parece que só faltam algumas horas para te mostrar o nosso -sim, ainda é nosso- sol de ano inteiro.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Adeus, sentimentos indomáveis!

Sentiu-se naquela noite como a tempestade que caia lá fora. Sabia que já havia sido como tarde quente, mas as sensações que a rodeavam naquela noite eram tão intensas que tiravam-lhe o juízo. Sentia que logo passaria a chuva e o barulho dos pingos confrontando o telhado iria desaparecer. Concentrou-se nas gotas que caiam incessantemente no piso do quarto e imaginou uma sinfonia: dentro era doce, fora, arrasadora. E desejou assim ser. Desejou ter paz. Teve. Ainda que caisse um temporal, teve sossego. A chuva cessou e ela nem percebeu. Caiu em sono profundo.

(minha foto)

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

A saudade de meus pedaços espalhados como retalho sobre a cama quase me sufocou. E, sem saber o porque, prometi a mim mesmo que deixaria de pensar em abandonar meu humilde achados e perdidos. Continuaria a achar e perder por aqui, bem ali, acolá.

sábado, 13 de novembro de 2010


Quem diz o momento de rir? Quem diz o momento? Quem diz quando amar? Quem diz quando o amor parar? Vejo pouco risos soltos e leves e assim. Vejo técnicas, rotina, robô. Quem vê simples? Quem vê? Quem vê sentido? Ali? No cinza. Quero ver colorido, quero ver. E só por isso o que eu digo não faz sentido? Sinto, sente, sentido.




sexta-feira, 29 de outubro de 2010

E eu que já não sei mais o que pensar. De tão covarde, ou de tanto medo, quis nunca deixar minha primeira pessoa chegar perto de minha tão moderna máquina de escrever. Já hoje ouvi que a poesia ria dos pobres poetas, que os românticos não sabiam captar o romantismo, que era inútil o esforço, que o artista não sabia mais o que dizer e disse. Vi que os pontos finais não deixam de ser por não fazer sentido. Seres subjetivos criticando subjetividades alheias. De tanto achar e perder, escondi. Esqueci de transparecer minhas claras verdades. Meus pedaços deixei, a torto e a direito, jogados pelo caminho, eles que se entendessem sozinhos! Exclamações, interjeições, tantas interrogações! Elas saem sem temer, sem caminho de volta. Minhas borboletas voam desanimadas, a não ser por umas duas, três que me deixam atordoada. Do futuro, digo poucas verdades. Palpites chegam sem permissão. Palpites. Palpites saem sem percepção. Palpites. O que se fala não é o que se sente, o que se sente nunca se pode falar. Se quem vê cara, não vê coração, quem vê sorriso, não vê intenção. Só por não atribuir nomes aos bois, meu pasto parece estar vazio. Só por não fazer sentido, é alívio. Ainda quero cantar minha canção descompassada. No marca-passo daquilo que trago de mais sincero, nas batidas que me levam adiante. Coração.

(imagem retirada do google)

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

João?

Alguém disse certa vez: "Quem se define, se limita". E esse lema, de uma hora pra outra, tornou-se a fala principal dos pequenos e limitados. Alguém explica?
Qualquer dia desses, se você esbarrar com um conhecido na rua e disser: mas eu não te conheço de algum lugar, o teu nome não é João?
O infeliz vai responder: quem se define, se limita.
Para quem voa baixo, enganar-se com liberdade dentro de uma gaiola é mais fácil do que querer sair dela.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Garoto


Conheci um garoto desajustado
de coração meio desregulado
que quase duas vezes morre afogado.

Esses eram os primeiros versos do garoto
Mas era tão descarado que quase um livro havia desejado.

Essa era, então, a primeira prosa do garoto. Era um desses meio alto, meio baixo, um tanto impertinente. Não me recordo se gostava de sorvete, mas não se dava muito bem com as palavras. Pode ele ir mais longe, olhar mais fundo e escolher todos os sabores e cobertura de chocolate ou morango, se resolver acreditar que suas águas não são tão turbulentas, seu oceano é até meio raso, Garoto!

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Trocados

Piso tão firme que sinto os músculos enrijecerem
Vou trocando meus trocados com o vento
E te observo quase parado, dando passos em falso
só por não querer segurar minha mão.
Salas condenadas, almas fechadas, abarrotadas de fantasmas
Bocas falantes de silêncio, mentes encharcadas de vazio
Corações pequenos, trocandos, pensantes
E um mundo lá fora, cheio de sensações, pulsando a todo vapor
dançando com o vento, apenas sendo.